Empresarial
Contrato com investidor e captação para startups
O que se assina na primeira captação define a diluição das próximas. Condição de conversão, desconto, teto de avaliação, preferência, arrasto e quórum não são formalidades: são o desenho de quem decide o que na empresa daqui a dois anos.
Falar com o escritório pelo WhatsAppO problema
Aparece o primeiro investidor e, com ele, um instrumento pronto e um prazo curto para assinar. A conversa se concentra no valor aportado e no percentual, que é a parte mais simples do documento.
As cláusulas que realmente pesam passam despercebidas, e só aparecem na rodada seguinte ou quando uma decisão operacional trava por falta de quórum.
O que analisar no instrumento
- Natureza: mútuo conversível, contrato de opção, aporte direto ou instrumento de participação futura, cada um com efeito próprio.
- Condição, momento e preço de conversão, com desconto e teto de avaliação, quando previstos.
- Efeito da conversão sobre a participação dos fundadores, simulado em cenários.
- Direitos de preferência, de venda conjunta e de arrasto.
- Quórum qualificado: quais decisões passam a depender do investidor.
- Obrigações de reporte, de informação e de acesso a documentos.
- Declarações e garantias prestadas pelos fundadores, e o que elas alcançam.
- Hipóteses de resgate, vencimento antecipado e o que acontece se a conversão não ocorrer.
Antes de captar
- 1.Resolver a titularidade do código e dos ativos digitais em nome da empresa.
- 2.Formalizar o acordo de sócios e o vesting dos fundadores.
- 3.Organizar contrato social, cap table e contratos com o time.
- 4.Verificar a situação da marca no INPI.
- 5.Reunir contratos com clientes e a documentação que o investidor vai pedir.
- 6.Simular a diluição nos cenários de conversão antes de aceitar o preço.
O que costuma travar uma due diligence
Com frequência, a titularidade do produto: código escrito por prestador sem cláusula de cessão, domínio e repositório em conta pessoal, marca não registrada e ausência de acordo entre os sócios.
Todos são resolvíveis antes e mais difíceis de resolver durante, porque passam a depender da colaboração de terceiros justamente quando a startup tem menos poder de negociação.
Documentos para a primeira análise
- Instrumento proposto pelo investidor e eventual term sheet.
- Contrato social, acordo de sócios e cap table.
- Contratos com quem desenvolveu o produto e com o time.
- Documentação de marca e de ativos digitais.
- Demonstrativos e contratos com clientes relevantes.
Base legal
Código Civil quanto ao mútuo, às sociedades e aos contratos, Lei 6.404/1976 quando aplicável e Lei Complementar 155/2016 quanto ao aporte de capital em empresas de pequeno porte.
Perguntas frequentes
O que é um mútuo conversível?
É um empréstimo com previsão de conversão em participação societária em determinada condição ou momento. O que define o resultado para os fundadores são as cláusulas de preço de conversão, desconto e teto de avaliação, que precisam ser simuladas antes da assinatura.
As cláusulas do investidor são negociáveis?
Em regra sim, sobretudo quórum, obrigações de reporte e extensão das declarações e garantias prestadas pelos fundadores. O que reduz o espaço de negociação é o prazo curto e a falta de preparação societária prévia.
O que resolver antes de procurar investimento?
Titularidade do código e dos ativos digitais, acordo de sócios, vesting dos fundadores, cap table organizado e marca no INPI. Esses cinco pontos são os que mais travam due diligence e os que mais custam quando resolvidos às pressas.
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