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Meireles Advocacia & Consultoria

Empresarial

Contrato com investidor e captação para startups

O que se assina na primeira captação define a diluição das próximas. Condição de conversão, desconto, teto de avaliação, preferência, arrasto e quórum não são formalidades: são o desenho de quem decide o que na empresa daqui a dois anos.

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O problema

Aparece o primeiro investidor e, com ele, um instrumento pronto e um prazo curto para assinar. A conversa se concentra no valor aportado e no percentual, que é a parte mais simples do documento.

As cláusulas que realmente pesam passam despercebidas, e só aparecem na rodada seguinte ou quando uma decisão operacional trava por falta de quórum.

O que analisar no instrumento

  • Natureza: mútuo conversível, contrato de opção, aporte direto ou instrumento de participação futura, cada um com efeito próprio.
  • Condição, momento e preço de conversão, com desconto e teto de avaliação, quando previstos.
  • Efeito da conversão sobre a participação dos fundadores, simulado em cenários.
  • Direitos de preferência, de venda conjunta e de arrasto.
  • Quórum qualificado: quais decisões passam a depender do investidor.
  • Obrigações de reporte, de informação e de acesso a documentos.
  • Declarações e garantias prestadas pelos fundadores, e o que elas alcançam.
  • Hipóteses de resgate, vencimento antecipado e o que acontece se a conversão não ocorrer.

Antes de captar

  1. 1.Resolver a titularidade do código e dos ativos digitais em nome da empresa.
  2. 2.Formalizar o acordo de sócios e o vesting dos fundadores.
  3. 3.Organizar contrato social, cap table e contratos com o time.
  4. 4.Verificar a situação da marca no INPI.
  5. 5.Reunir contratos com clientes e a documentação que o investidor vai pedir.
  6. 6.Simular a diluição nos cenários de conversão antes de aceitar o preço.

O que costuma travar uma due diligence

Com frequência, a titularidade do produto: código escrito por prestador sem cláusula de cessão, domínio e repositório em conta pessoal, marca não registrada e ausência de acordo entre os sócios.

Todos são resolvíveis antes e mais difíceis de resolver durante, porque passam a depender da colaboração de terceiros justamente quando a startup tem menos poder de negociação.

Documentos para a primeira análise

  • Instrumento proposto pelo investidor e eventual term sheet.
  • Contrato social, acordo de sócios e cap table.
  • Contratos com quem desenvolveu o produto e com o time.
  • Documentação de marca e de ativos digitais.
  • Demonstrativos e contratos com clientes relevantes.

Base legal

Código Civil quanto ao mútuo, às sociedades e aos contratos, Lei 6.404/1976 quando aplicável e Lei Complementar 155/2016 quanto ao aporte de capital em empresas de pequeno porte.

Perguntas frequentes

O que é um mútuo conversível?

É um empréstimo com previsão de conversão em participação societária em determinada condição ou momento. O que define o resultado para os fundadores são as cláusulas de preço de conversão, desconto e teto de avaliação, que precisam ser simuladas antes da assinatura.

As cláusulas do investidor são negociáveis?

Em regra sim, sobretudo quórum, obrigações de reporte e extensão das declarações e garantias prestadas pelos fundadores. O que reduz o espaço de negociação é o prazo curto e a falta de preparação societária prévia.

O que resolver antes de procurar investimento?

Titularidade do código e dos ativos digitais, acordo de sócios, vesting dos fundadores, cap table organizado e marca no INPI. Esses cinco pontos são os que mais travam due diligence e os que mais custam quando resolvidos às pressas.

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O escritório fica em Santos e atende toda a região, além de casos de outras cidades à distância.

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