Imobiliário
Laudêmio na venda de imóvel em Santos: quem paga e como é calculado
Vai vender ou comprar imóvel em terreno de marinha? Veja quando o laudêmio é devido, quem paga, como é calculado, o que é a CAT e por que ela pode atrasar a escritura.
- Publicado
- Autor
- Meireles Advocacia
- Leitura
- 5 minutos
- Tópicos
- 12
Neste artigo (12 tópicos)
Em uma negociação de apartamento na orla de Santos, é comum que comprador e vendedor só ouçam falar em laudêmio quando o tabelionato pede a certidão da SPU. A partir daí surgem as dúvidas: quem paga, quanto custa e quanto tempo leva. Conhecer essas respostas antes de assinar o compromisso evita atrito e atraso.
O que é o laudêmio
Laudêmio é o valor pago à União quando há transferência onerosa de imóvel situado em terreno de marinha, como uma venda ou uma permuta. Ele existe porque o terreno pertence à União e o que se transfere entre particulares é o direito de uso, seja o domínio útil no aforamento, seja a ocupação inscrita.
Como é calculado
O laudêmio corresponde a 5% do valor atualizado do domínio pleno do terreno, excluídas as benfeitorias. Desde a Lei 13.465/2017, a construção não entra na base de cálculo, o que reduziu o valor em relação à regra anterior, especialmente em apartamentos, em que a fração do terreno é pequena.
A base é o valor que a SPU atribui ao terreno, e não o preço negociado entre as partes. Por isso o laudêmio pode ser bem menor do que 5% do preço do apartamento.
Quem paga
A lei atribui a obrigação a quem transfere, ou seja, ao vendedor. Nada impede, porém, que as partes combinem de forma diferente no contrato. O importante é que isso esteja escrito no compromisso de compra e venda, para que não haja discussão no momento da escritura.
A CAT, a certidão que libera a escritura
Para lavrar a escritura de imóvel em terreno de marinha, o tabelionato exige a Certidão de Autorização para Transferência, a CAT, emitida pela SPU. Ela só é expedida se não houver débitos de foro ou taxa de ocupação e se o laudêmio, quando devido, estiver recolhido.
- Verificar o cadastro do imóvel na SPU pelo número do RIP.
- Conferir se o vendedor é quem consta como responsável no cadastro.
- Quitar débitos anuais pendentes ou contestar os indevidos.
- Gerar e pagar a guia do laudêmio.
- Emitir a CAT e apresentá-la ao tabelionato dentro do prazo de validade.
O que costuma atrasar a venda
- Cadastro em nome de um proprietário anterior, porque vendas passadas não foram comunicadas à SPU.
- Débitos antigos de taxa de ocupação, às vezes de períodos em que o vendedor nem era dono.
- Divergência entre a área cadastrada e a área da matrícula.
- Imóvel ainda em nome de pessoa falecida, sem inventário concluído.
Cada uma dessas pendências pode levar semanas para ser resolvida. Por isso a verificação na SPU deve acontecer no início da negociação, junto com as certidões do vendedor, e não na véspera da escritura.
Herança, doação e outras transferências
O laudêmio incide apenas na transferência onerosa. Na herança e na doação ele não é cobrado. Mesmo assim, o cadastro na SPU precisa ser atualizado em nome de quem recebeu o imóvel, e débitos anuais pendentes precisam ser regularizados.
Cuidados no contrato
O compromisso de compra e venda deve prever quem paga o laudêmio, quem providencia a CAT, o prazo para isso e a consequência de eventual débito na SPU descoberto depois. Uma cláusula que condicione parte do pagamento à emissão da CAT protege o comprador sem prejudicar o vendedor de boa-fé.
Aforamento e ocupação: a diferença na venda
O laudêmio é devido tanto na venda de imóvel aforado quanto na de imóvel em regime de ocupação. A diferença está no que se transfere: no aforamento, o domínio útil, que é um direito real registrado na matrícula; na ocupação, a inscrição como ocupante, que é uma situação cadastral perante a União. Em ambos os casos, a SPU precisa autorizar a transferência por meio da CAT e atualizar o cadastro depois da escritura.
Saber qual é o regime do imóvel também ajuda a estimar as despesas anuais do comprador. Um imóvel em ocupação paga taxa anual de 2% sobre o valor do domínio pleno, enquanto um imóvel aforado paga foro de 0,6%. Para quem compra, essa diferença pesa no custo de manter o imóvel ao longo dos anos.
Passo a passo de uma venda em terreno de marinha
- Antes da proposta: o vendedor consulta o extrato do imóvel na SPU e confere se está em seu nome e sem débitos.
- No compromisso de compra e venda: as partes definem quem paga o laudêmio, quem providencia a CAT e o prazo para isso.
- Durante a negociação: eventuais débitos anuais são quitados ou contestados, e o cadastro é corrigido, se necessário.
- Antes da escritura: o laudêmio é calculado e recolhido, e a CAT é emitida.
- Na escritura: o tabelionato confere a CAT e lavra o ato.
- Depois do registro: o comprador providencia a atualização do cadastro na SPU, para passar a receber as cobranças em seu nome.
O último passo que muita gente esquece
Depois do registro da escritura, o novo titular deve comunicar a transferência à SPU e atualizar o cadastro. Quando isso não é feito, as cobranças anuais continuam em nome do vendedor, o que gera débitos acumulados, dificuldades em uma venda futura e discussões entre as partes anos depois. O contrato pode prever esse prazo e a responsabilidade por eventuais encargos decorrentes do atraso.
Perguntas frequentes
Comprei sem pagar laudêmio. A escritura é inválida?
O registro pode ter sido feito com alguma irregularidade, mas a solução normalmente passa pela regularização junto à SPU. É preciso examinar os documentos do caso.
O laudêmio é calculado sobre o preço do apartamento?
Não. A base é o valor do terreno atribuído pela SPU, sem as benfeitorias.
Dá para deixar de pagar laudêmio para sempre?
A remição do foro, quando possível, transforma o titular em proprietário pleno, e a partir daí deixam de existir foro e laudêmio. É preciso avaliar o custo da remição frente aos valores envolvidos.
Conclusão
O laudêmio é um custo previsível quando é tratado no começo da negociação. O que causa problema é descobrir, na última hora, cadastro desatualizado ou débitos antigos. Em imóveis da orla de Santos e da Baixada, consultar a situação na SPU deve fazer parte da análise de qualquer compra.
