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Meireles Advocacia & Consultoria

Trabalhista

Marítimo com salário atrasado ou tripulação abandonada no Porto de Santos: o que fazer

Navio parado em Santos com salários atrasados ou tripulação sem repatriação? Veja os direitos garantidos pela convenção internacional, a garantia financeira contra abandono e as medidas judiciais possíveis.

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Meireles Advocacia
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Neste artigo (13 tópicos)

De tempos em tempos, um navio fica parado no Porto de Santos ou em fundeio na barra com a tripulação a bordo, salários atrasados e sem previsão de repatriação. Isso acontece quando o armador enfrenta dificuldades financeiras ou disputas com credores. Para os tripulantes, brasileiros ou estrangeiros, a situação é urgente: falta salário, às vezes falta comida e combustível, e não há como voltar para casa.

O que é abandono de tripulação

A Convenção sobre Trabalho Marítimo, ratificada pelo Brasil, considera que há abandono quando o armador deixa de custear a repatriação, deixa os tripulantes sem o sustento e o apoio necessários ou rompe unilateralmente seus vínculos com eles, incluindo a falta de pagamento de salários por pelo menos dois meses.

A garantia financeira obrigatória

A convenção exige que os navios tenham uma garantia financeira, normalmente um seguro, para cobrir o abandono. Essa garantia deve assegurar o pagamento de salários atrasados, em regra limitado a quatro meses, as despesas de repatriação e as necessidades essenciais, como alimentação, água, combustível e assistência médica. O certificado dessa garantia deve estar a bordo.

Os salários como crédito privilegiado

Na legislação brasileira, os salários da tripulação estão entre os créditos privilegiados sobre o navio. Isso significa que eles têm preferência sobre muitos outros credores e podem fundamentar medidas judiciais contra o próprio navio, como seu arresto, para garantir o pagamento.

Medidas possíveis

  1. Acionar a garantia financeira contra abandono, por meio do certificado a bordo.
  2. Comunicar a situação às autoridades marítimas e trabalhistas e à representação consular, no caso de estrangeiros.
  3. Buscar o apoio do sindicato dos marítimos e de entidades de assistência aos trabalhadores do mar.
  4. Propor medida judicial urgente, inclusive o arresto do navio, para assegurar o pagamento dos salários.

O tempo é decisivo

Navios podem ser vendidos, retirados do porto ou disputados por outros credores. Quanto antes os tripulantes reúnem documentos e buscam orientação, maiores as chances de assegurar os créditos enquanto o navio ainda está em Santos.

Documentos importantes

  1. Contrato de engajamento ou de trabalho marítimo.
  2. Comprovantes dos últimos salários recebidos e extratos.
  3. Lista da tripulação e documentos de identificação marítima.
  4. Fotografia do certificado de garantia financeira a bordo.
  5. Mensagens e comunicações com o armador, o comandante e o agente marítimo.

O papel das autoridades e entidades no porto

Em situações de abandono, diferentes instituições podem ajudar. A autoridade marítima atua na segurança da embarcação e da tripulação. Os órgãos de fiscalização do trabalho podem verificar as condições a bordo. Consulados prestam apoio aos tripulantes estrangeiros. Sindicatos e entidades de assistência aos marítimos costumam oferecer suporte prático, como alimentação, comunicação e orientação inicial.

A atuação dessas instituições não substitui as medidas judiciais para garantir os créditos, mas pode ser decisiva para preservar a segurança e a dignidade da tripulação enquanto a situação é resolvida.

O arresto do navio

O arresto é uma medida judicial que impede o navio de deixar o porto até que o crédito seja garantido. Ele é especialmente útil quando o armador não tem bens no Brasil e o navio é o único patrimônio alcançável. O pedido exige a demonstração do crédito e da urgência, e costuma ser apreciado rapidamente, porque o navio pode partir a qualquer momento.

  1. Demonstração dos salários devidos, com contratos e comprovantes.
  2. Identificação precisa do navio, com nome e número IMO.
  3. Demonstração da urgência, como previsão de saída ou venda.
  4. Indicação do armador e de outros responsáveis.

Tripulantes brasileiros em navios estrangeiros

Quando há brasileiros na tripulação, eles também podem buscar os direitos previstos na legislação trabalhista nacional, conforme as circunstâncias da contratação. Em casos de abandono, é comum combinar as medidas urgentes sobre o navio com a cobrança dos demais direitos trabalhistas.

A situação das famílias

Enquanto a tripulação permanece a bordo, as famílias, no Brasil ou no exterior, deixam de receber o sustento. Por isso, além de garantir os salários atrasados, é importante buscar a continuidade dos pagamentos e a repatriação o quanto antes. A garantia financeira prevista na convenção internacional foi pensada exatamente para essas situações, e acioná-la cedo reduz o tempo de espera.

Como a tripulação pode se organizar

Em casos de abandono, a atuação conjunta da tripulação costuma ser mais eficiente. Reunir os contratos, os comprovantes e as procurações de todos os interessados permite que as medidas urgentes sejam propostas de uma vez, com uma visão completa dos créditos. Também facilita a comunicação com as autoridades, com a seguradora da garantia financeira e com o armador, evitando informações desencontradas.

Perguntas frequentes

Tripulantes estrangeiros podem acionar a Justiça brasileira?

Em situações envolvendo navio em porto brasileiro, medidas urgentes podem ser buscadas no Brasil. A análise considera a natureza do crédito e as circunstâncias do caso.

Posso desembarcar e voltar para casa?

A repatriação é direito do tripulante e obrigação do armador. Em caso de abandono, a garantia financeira deve custeá-la.

E se o navio for vendido?

Créditos privilegiados como os salários acompanham o navio, mas a efetividade da cobrança depende de medidas rápidas.

O comandante também tem direito aos salários atrasados?

Sim. Os salários do comandante e da tripulação estão entre os créditos privilegiados sobre o navio.

Quanto tempo leva para receber?

Depende da garantia financeira disponível, da situação do armador e das medidas judiciais adotadas. Agir cedo costuma encurtar esse tempo.

Preciso estar a bordo para pedir o arresto?

Não necessariamente. O que importa é que o navio esteja no porto ou em águas brasileiras e que os créditos estejam documentados. Tripulantes já repatriados também podem ser representados por procuração. Ainda assim, quanto antes os documentos forem reunidos, melhor, porque a permanência do navio no porto é incerta.

Conclusão

O abandono de tripulação tem resposta no direito internacional e na legislação brasileira: garantia financeira obrigatória, privilégio dos salários e medidas urgentes sobre o navio. Em todos os casos, agir enquanto o navio está no porto é o que mais aumenta as chances de recebimento.

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